Volume 7  |  número 2

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Mídia, comportamento e cultura  

Maria de Lima Wang, Maria Eliza Mazzilli Pereira, Maria Amalia Andery

 

 

doi: 10.18761/pac.2015.024

Resumo

De forma geral, encontram-se os seguintes problemas na literatura que trata da relação entre mídia e público: a) a mídia tradicional (jornal, rádio, televisão) é descrita como antidemocrática, desconsiderando-se serviços relevantes prestados por ela e o controle do público-alvo sobre a mídia; b) a mídia social (blogs, Facebook, Twitter) é tratada como salvaguarda da democracia, sem se considerar formas de censura realizadas por meio de algo- ritmos específicos, que determinam que conteúdo é exibido ou ocultado do público. Neste artigo, propõe-se uma análise comportamental da mídia, baseando-se em princípios da sele- ção comportamental/cultural pelas consequências. Argumenta-se ser preciso descrever inter-relações entre agências de controle e em outras contingências de reforçamento que afetam o comportamento individual e em grupo nas interações com a mídia e pela mídia. Implica considerar práticas culturais dominantes, levando em conta que certas práticas podem ser incompatíveis entre grupos constitutivos de uma cultura. À parte a noção de democracia não ser necessariamente consensual, é possível que se encontrem dimensões de práticas de- mocráticas e antidemocráticas nas mídias tradicional e social. Considera-se que a análise do comportamento deveria compreender melhor possibilidades e limites das novas tecnologias de comunicação, sobretudo das mídias sociais, em possíveis intervenções culturais.

Palavras-chave: mídia e análise do comportamento, agência de controle, conhecimento construído socialmente, prática cultural, mídias sociais

 

Abstract

In general, the following problems can be found in the literature that deals with the relationship between media and the public: a) traditional media (newspapers, radio, televi- sion) is described as antidemocratic, without considering the relevant services it offers or the control the target audience has over the media; b) social media (blogs, Facebook, Twitter) is treated as a guardian of democracy, without considering forms of censorship implemented via specific algorithms, which determine what content is displayed and what is hidden from the public. In this article, we propose a behavioral analysis of media, based on principles of cultural and/or behavioral selection by consequences. We argue that it is necessary to de- scribe interrelationships among the control agencies and in contingencies of reinforcement that affect individual and group behavior, in interactions with the media and through the media. It implies considering dominant cultural practices, taking into account that certain practices may be incompatible among constituent groups of a culture. Although the notion of democracy is not necessarily consensual, it is possible to find dimensions of democratic and antidemocratic practices in traditional and social media. We consider that the behavior analysis should better comprehend possibilities and limits of new communication technolo- gies, specially social media, in possible cultural interventions.

Keywords: media and behavior analysis, control agency, socially constructed knowledge, cul- tural practice, social media

 

Resumen

De manera general, se encuentran los siguientes problemas en la literatura que trata de la relación entre los medios de comunicación y el público: a) se describen los medios tradicionales (prensa, radio, televisión) como antidemocráticos sin considerar los relevantes servicios que prestan, ni el control del público objetivo sobre dichos medios; b) se creen que los medios sociales (blogs, Facebook, Twitter) son guardianes de la democracia, sin consi- derar formas de censura realizadas a través de algoritmos específicos, que determinan qué contenido se exhibe y qué se oculta del público. En este artículo proponemos un análisis del comportamiento de los medios de comunicación en base a los principios de la selección cul- tural y/o del comportamiento por consecuencias. Argumentamos que es necesario describir interrelaciones entre las agencias de control así como en otras contingencias de refuerzo que afectan el comportamiento en las interacciones con los medios y por los medios, sea indivi- dual o en grupo. Hay que considerar prácticas culturales dominantes teniendo en cuenta que algunas de ellas pueden ser incompatibles entre grupos constitutivos de una cultura. Aunque la noción de democracia no es necesariamente un consenso, es posible encontrar dimensiones de prácticas democráticas y antidemocráticas en los medios de comunicación tradicionales y sociales. Juzgamos que el análisis del comportamiento debería comprender mejores posi- bilidades y límites de las tecnologías de comunicación, sobre todo de los medios sociales, en posibles intervenciones sociales.

Palabras-clave: medios de comunicación y análisis del comportamiento, agencia de control, conocimiento construido socialmente, práctica cultural, medios sociales